Afinal o que é a doença de Parkinson?


Quando ouvimos falar em doença de Parkinson há uma tendência para pensar em tremores. Grande parte das pessoas ainda questiona se será a doença dos tremores ou dos esquecimentos, pela confusão que ainda permanece entre a doença de Parkinson e a doença de Alzheimer.

Na realidade, os tremores não são o único sintoma da doença de Parkinson (DP). Esta doença apresenta-se de forma diferente de pessoa para pessoa e nem todas apresentam tremores, contudo, este será um dos sintomas mais frequentes.

Esta é a segunda doença neuro degenerativa mais comum nos idosos afeta 1 em cada 100 pessoas na casa dos 60 anos. No entanto, pode ser diagnosticada com 40 anos ou menos, sendo nestes casos referenciada como Parkinson Juvenil.

A DP ocorre devido à depleção (morte), de células da substância nigra, que é a zona do cérebro responsável pela produção de dopamina, um neurotransmissor envolvido no controlo dos movimentos, assim como, na aprendizagem, atenção, cognição, memória, entre outros. As alterações nestas últimas funções resultam em sintomas não motores. O facto da dopamina incidir sobre o controlo dos movimentos, faz com que a sua falta se manifeste em alterações motoras, estando entre as mais frequentes, o tremor, a rigidez, a instabilidade postural e a bradicinesia.

Nas últimas décadas a DP tem sido amplamente investigada, sem que a  a sua causa tenha sido ainda descoberta. Neste momento, a hipótese mais consensual é a de que a causa da DP não será única, mas sim multifatorial, reunindo fatores genéticos e vários fatores tóxicos ambientais.

  • Editar Editor de texia, entre outros. As alterações nestas últimas funções resultamsintomas não motores (sintomas não motores). O facto de a dopamina atuar no controlo dos movimentos, faz com que a sua falta se manifeste em sintomas motores (sintomas motores), estando entre os mais frequentes, o tremor, a rigidez, a instabilidade postural e a bradicinesia.

Ainda não existe uma cura para a doença de Parkinson, mas é possível recorrer a tratamentos que são eficazes e comprovados cientificamente na atenuação dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida de quem tem o diagnóstico. Neste aspecto, o essencial para o sucesso no combate a esta doença é o tratamento precoce e especializado. Os tratamentos nesta fase inicial têm uma eficácia muito superior, ao invés de nos estágios mais avançados; recorrer a tratamentos especializados irá traduzir-se também em melhores resultados a longo prazo.

A quem afecta a doença de Parkinson?


Infelizmente, muitas pessoas em todo mundo sofrem de doença de Parkinson (DP), sendo esta considerada a segunda doença neurodegenerativa mais comum, apenas superada pela doença de Alzheimer. 

Em todo o mundo pensa-se que existam cerca de 10 milhões de pessoas com DP (quase a população de Portugal). 

Na Europa, estima-se que existam entre 257 a 1400 casos por cada 100.000 habitantes, sendo esta estimativa variável consoante os países e os estudos efetuados em cada um deles.  Em Portugal, apuraram-se 180 casos por cada 100.000 habitantes na população acima dos 50 anos, número que poderá ser inferior ao real.

doença de parkinson

Sabe-se, ainda, que existe uma maior prevalência de casos de DP na Europa e nos Estados Unidos da América, o que parece colocar a população caucasiana em maior risco de desenvolver doença de Parkinson.

Sendo o principal fator de risco o avançar da idade e também devido ao aumento da esperança média de vida para os indivíduos com DP, no ano 2040 estima-se que irão existir em todo o mundo 12 milhões de pessoas com doença de Parkinson, o que representa um crescimento de 2 milhões de casos. O crescimento do número de casos entre 1990 e 2016 foi de 3,6 milhões de casos.

Atualmente, as pessoas na faixa etária dos 70 anos são aquelas que mais são diagnosticadas com esta doença, estando o género masculino mais afetado, na proporção de 3 para 2. 

Embora as causas da doença ainda não sejam totalmente conhecidas, sabe-se que apenas 5% a 10% de todos os casos tiveram uma causa genética.

Dos milhões de pessoas afetadas pela doença de Parkinson em todo mundo são estes os dados recolhidos e estudados, contudo, é importante referir que existem ainda muitas pessoas que são as exceções à regra, como são os casos de Parkinson Juvenil.

Causas para a doença de Parkinson


Ainda não há uma resposta clara sobre o que leva à depleção (morte) das células cerebrais responsáveis pela produção de dopamina, cuja diminuição causa os sintomas relacionados à doença de Parkinson. Das várias hipóteses colocadas, nenhuma delas se aplica a todos os casos ou a uma maioria, mas os factores mais conhecidos são

Fatores Genéticos

Apenas 20% das pessoas com DP reportam, pelo menos, um familiar em primeiro ou segundo grau também afetado pela doença. 

Ainda assim, e embora sejam conhecidas algumas mutações genéticas que podem codificar a doença e ser transmitidas de pais para filhos, não são as causas genéticas as que mais contribuem para o aparecimento da DP. 

Só 5% a 10% dos casos de DP foram provados como tendo origem genética.

Fatores Pessoais

Sabe-se que história prévia de traumatismo craniano aumenta as hipóteses de a doença de Parkinson se vir a desenvolver.

Pesquisas mais recentes relacionam, ainda, a inflamação intestinal como um eventual fator desencadeante da doença.

Fatores Ambientais

A exposição a produtos químicos tóxicos, vírus, bactérias ou metais pesados, podem ser os responsáveis pela depleção das células da substância nigra (produtoras de dopamina), apesar de a sua expressão ser mínima. 

A maior evidência conhecida está relacionada com o consumo de MPTP (pró-fármaco da neurotoxina MPP+) que, atualmente, é utilizado como ferramenta de estudo para a DP em laboratório.

Multiplos Fatores

Não sendo certo nem definitivo que alguma das hipóteses acima explica o aparecimento desta patologia, as pesquisas mais recentes indicam que a doença de Parkinson advém de um contexto multifatorial, resultando da interação entre fatores genéticos e ambientais, com a particularidade de que, cada fator irá contribuir de uma forma diferente para cada situação particular. 

Também a evidência sobre fatores protetores é escassa e assenta, sobretudo, em estudos de “casos controlo”, sem evidência científica), sugerindo que níveis mais elevados de ácido úrico sérico, consumo de café e consumo de tabaco poderão estar associados a um menor risco de DP.

Que sintomas apresenta a doença de Parkinson?


A doença de Parkinson apresenta vários sintomas, alguns dos quais mais perceptíveis do que outros (ou que se associam mais à doença), contudo, há que referir que esta é uma doença que evolui (link para como progrime a dp) e afeta cada pessoa de forma diferente.

Podemos assumir que os sintomas mais comuns são os sintomas motores, mas estes não serão os únicos sintomas. Explicamos abaixo, sucintamente, os quatro sintomas motores mais frequentes desta doença.

 

Sintomas Motores

tremor

Tremor, também descrito como tremor de repouso: exacerba-se em situações de stress emocional, assim como, durante a marcha e no esforço cognitivo. Diminui com movimentos voluntários do segmento afetado e desaparece com o sono.

Rigidez ou resistência ao movimento passivo: pode ser contínua ou intermitente e não depende da velocidade de execução do movimento, apresentando o fenómeno conhecido como “roda dentada”. Esta afeta, essencialmente, a musculatura flexora, determinando alterações típicas na postura como flexão do tronco e semiflexão dos membros. Nesta doença o tempo de latência dos reflexos de alongamento está aumentado, contribuindo dessa forma para a rigidez.

Instabilidade postural, é uma das repercussões funcionais que mais afeta as pessoas com DP; por ser de difícil tratamento e pelas suas consequências, a instabilidade postural torna-se muito incapacitante e compromete a capacidade de manter o equilíbrio nas atividades funcionais que requerem maior estabilidade postural, tais como: marcha, transferências (levantar de uma cadeira, rolar na cama), mudanças  de direção.

Bradicinésia, manifestada pela diminuição da velocidade nos movimentos, pobreza de movimentos e lentidão na iniciação e na execução de atos motores voluntários e automáticos.

Sintomas Não Motores

Os sintomas não motores,io como o próprio nome indica não afectam directamente a mobilidade. Têm vindo a ser identificados e conhecidos ao longo dos anos e hoje em dia são reconhecidos como sintomas da DP. Surgem porque a dopamina é utilizada em vários processos no nosso cérebro e não apenas na parte motora, e também porque na doença de Parkinson também se verificam alterações ao nível de outros neurotransmissores como a serotonina, noradrenalina, acetilcolina.

Estes sintomas tendem a não ser associados à doença de Parkinson, levando a que seja difícil para os familiares e amigos identificá-los e compreendê-los. Muito embora sejam bastante comuns e, por vezes, mais problemáticos e/ ou incapacitantes do que os próprios sintomas motores.

O conhecimento e reconhecimento destes sintomas é importante, pois sendo identificados e associados à doença de Parkinson podem ser intervencionados, contribuindo para que se viva com mais qualidade

Estas manifestações são diversas e, como já foi referido, diferem de pessoa para pessoa – quer no tipo, quer na forma. Serão estes os sintomas não motores mais comuns:

Alterações cognitivas

Depressão

Obstipação

Dor

Alterações do sono

Alterações de humor

Incontinência urinária

Disautonomia

Hipotensão ortoestática

Alucinações

Perda de olfacto/ paladar

Perda de peso

Sintomas Pré Motores

Sabendo que, quando surgem os primeiros sintomas motores já terá havido uma depleção de cerca de 70% das células da substância nigra, cada vez mais se estuda também a existência de sintomas e outras alterações fisiológicas que surgem anos antes (5 ou mais) do aparecimento destes. 

Estes chamados sintomas pré motores são importantes, pois podem ser usados para rastrear a doença de Parkinson de forma bastante precoce, tornando possível ativar algum tipo de prevenção, ou o desenvolvimento de tratamentos modificadores da doença.

São exemplos:

  • diminuição do olfato perante odores específicos como o da gasolina ou da banana;
  • obstipação;
  • alterações do sono, tais como sonolência diurna e alterações do sono REM;
  • depressão e ansiedade;

Além dos sintomas referidos, existem ainda outros sintomas que já demonstraram poder preceder os sintomas motores da DP, como algumas alterações do sistema nervoso autónomo, distúrbios visuais, alterações cognitivas, apatia e fadiga.

É importante fazer a ressalva que o facto de alguém ter algum destes sintomas não é preditivo de que venha a apresentar doença de Parkinson no futuro, pois podem ter outra causa, e é por isso que a investigação continua.

Como é feito o diagnóstico da doença de Parkinson?


diagnóstico Doença Parkinson

O diagnóstico da doença de Parkinson é clínico, segue critérios e utiliza a aplicação de testes e escalas que permitem ao médico neurologista afirmar a existência da doença, assim como, a sua possível forma de evolução. 

Perante tantos sintomas, o diagnóstico é uma tarefa complexa, mas, neste campo são os sintomas motores que se tornam determinantes. 

O diagnóstico desta doença é particularmente difícil porque existem outras doenças, que não a doença de Parkinson, que se revelam através com mesmos sintomas e, muitas vezes, só observando a evolução é que é possível determinar o diagnóstico com maior clareza.

 

Existe algum teste que confirme o diagnóstico?

Não. Actualmente não existe um biomarcador ou um teste que permita afirmar seguramente a existência da DP. Existem testes genéticos, mas apenas são úteis numa pequena quantidade de pessoas – aquelas cuja doença é de origem genética.

Por vezes são utilizados outros testes, mas com o objetivo de descartar a hipótese de outras patologias.

 

Como evolui a doença de Parkinson?

A doença de Parkinson evolui de forma diferente de pessoa para pessoa. Porque tem uma grande variedade de sintomas e por não afetar todas as pessoas da mesma maneira. Contudo, a sua evolução é, regra geral, lenta. Os sintomas instalam-se lentamente e vão evoluindo de forma progressiva. Os sintomas tendem a começar de forma unilateral, ou seja, só de um lado. E eventualmente surgem também do outro lado do corpo. Esta doença é tão complexa que a mesma pessoa pode sentir alterações nos seus sintomas de dia para dia, ou até, hora para hora. 

Inicialmente com recursos a medicação e reabilitação há até quem se esqueça quem tem a doença. Esta fase é conhecida como fase de lua de mel, na medida em que, tudo está harmonioso e os sintomas são facilmente controlados. Esta fase pode durar até cerca de 10 anos. 

Entretanto podem começar a surgir sintomas mais marcados e que não respondem tão bem à intervenção, mas quando isso acontece é importante ter em conta que o problema pode ser tratado ou ultrapassado com medicamentos e terapias

Muitas pessoas com Parkinson levam vidas ativas e gratificantes, superando as dificuldades da melhor forma. Sendo que, o importante é saber lidar com o Parkinson, entender como isso afecta e contornar as dificuldades da melhor forma.

Nem sempre é fácil manter uma perspectiva positiva, especialmente imediatamente após o diagnóstico, mas existe muita ajuda e muito que se pode fazer.

 

É possível morrer de doença de Parkinson?

A verdade é que ninguém morre de doença de Parkinson, e a esperança de vida da maioria das pessoas não muda muito por causa da doença.

Porém, alguns dos sintomas mais avançados podem levar ao aumento da incapacidade e a outras condições de saúde, que podem conduzir a estados de saúde mais delicados e vulneráveis. 

Ainda assim, o mais importante é confiar em profissionais de saúde especializados que têm respostas para todas as fases da doença.

Que tratamentos existem para a doença de Parkinson?


Ao manifestar-se de formas tão distintas é compreensível que não exista para a doença de Parkinson um tratamento padrão para todos os casos. Este tratamento vai ser indicado e adaptado a cada pessoa com base nos seus sintomas e reações.

As terapêuticas disponíveis são a medicação, cirurgia e reabilitação: inclui-se neste último a fisioterapia, terapia da fala, psicologia e nutrição.

Medicação

A medicação é essencial, e deve ser a primeira linha de acção, pois tem a capacidade de melhorar os sintomas da doença, com eficácia notoriamente mais elevada nos sintomas motores. De todos os medicamentos existentes ainda não existe nenhum que reverta os efeitos da doença ou que tenha efeitos protetivos ao nível da evolução da doença. 

levodopa

É normal ser necessário tomar vários medicamentos para esta patologia e deve existir rigor na toma de acordo com o prescrito. Para tal pode-se sentir a necessidade de utilizar uma lista e/ou colocar alarmes, para evitar falhas.

Hoje em dia existem várias opções disponíveis em termos medicamentosos para a doença de Parkinson, pelo que, serem prescritos por um médico neurologista especialista em doenças do movimento é fundamental. 

Estes medicamentos têm como principais funções aumentar a quantidade de dopamina presente no cérebro e estimular as partes do cérebro onde a dopamina funciona, ou bloquear a ação de outros produtos químicos ou enzimas que afetam a dopamina e reduzem o seu efeito.

Os principais tipos de medicamentos utilizados no tratamento da doença de Parkinson são:

  • Levodopa 
  • Agonistas da dopamina
  • Inibidores da catecol-O-metil-transferase (COMT) 
  • Inibidores da monoamina-oxidase B (MAO-B) 
  • Anticolinérgicos
  • Dopaminérgico

Cirurgia

A cirurgia é uma opção também para os doentes de Parkinson, o seu nome técnico é estimulação cerebral profunda, sendo apelidada de DBS (Deep Brain Stimulation). Desenvolvida desde 1987, é um procedimento relativamente seguro e que conta já com cerca de 150 mil pessoas intervencionadas com esta técnica.

Funciona de forma similar a um pacemaker, ou seja, envia impulsos eléctricos para o cérebro de maneira a bloquear ou regular actividade cerebral anormal causadora de alguns dos sintomas relacionados com a Doença de Parkinson, como, por exemplo, os tremores e movimentos involuntários. Consiste na aplicação de eletrodos em zonas específicas do cérebro que ficam ligadas a uma bateria, conseguindo dessa forma estimular a zona cerebral em causa.

É uma técnica cada vez mais utilizada, mas principalmente, para os casos em que o tratamento medicamentoso já não tenha muito mais opções ou quando existem muitas flutuações motoras. Com isto se verifica que, não é aplicável a todos os doentes de Parkinson. Pelo que, este tratamento só se torna opção quando referenciado pelo médico

 

Reabilitação

A reabilitação neurológica tem ganho importância ao longo dos anos como parte relevante da gestão da doença de Parkinson. Em grande parte porque, a DP se encontra hoje em dia no patamar das doenças neurológicas degenerativas com maior impacto ao nível funcional dos indivíduos. E está amplamente documentado que o uso prolongado da terapêutica dopaminérgica embora melhore a função motora, resulta em discinésias e flutuações na resposta motora que são irreversíveis. Assim sendo, quem vive com doença de Parkinson enfrentam uma deterioração implacável na mobilidade e atividades da vida diária (AVD), que podem resultar no acamamento e dependência, em casos extremos.

O tratamento de pessoas com DP deve ser multidisciplinar, o que inclui a coordenação do tratamento farmacológico com o não farmacológico. Não é possível curar, mas é possível atrasar ou inverter o declínio funcional.

reabilitação neurológica doença de Parkinson

Fisioterapia

A Fisioterapia surge como uma técnica adjuvante à terapia medicamentosa, uma vez que mesmo com uma boa resposta por parte do tratamento farmacológico a doença vai progredindo e os doentes notam uma deterioração progressiva das suas funções.

Desta forma, uma vez que as disfunções do movimento estão no centro da patologia de Parkinson, a Fisioterapia atua sobre os problemas da marcha, da postura, do equilíbrio e das transferências de posição, que normalmente não obtêm uma resposta muito eficaz por parte da medicação.

Fisioterapia doença de ParkinsonAtualmente, sabe-se que a fisioterapia é uma estratégia eficaz para atrasar ou inverter o declínio funcional, tendo sido suportada cientificamente comprovada por uma vasta evidência, nos últimos anos. Além disso, o exercício físico adequado tem demonstrado uma redução na taxa de mortalidade em indivíduos com DP e, ainda que modestamente, demonstrou um efeito protetor para o risco de DP. Somando ainda o facto de as estimativas sugerirem que há mais de 80% de probabilidade de que a intervenção do exercício seja uma estratégia de custo eficaz em relação ao tratamento usual.

A Fisioterapia adquire um importante papel na reabilitação destes pacientes, cujo objetivo passa por minimizar e retardar a evolução dos sintomas, proporcionando uma melhor funcionalidade e consequente melhoria da qualidade de vida.

Esta, intervém em seis áreas específicas essenciais: as transferências, a postura, alcançar e agarrar, equilíbrio, marcha e capacidade física.

Dentro destas existem quatro recomendações no seu nível mais alto: a utilização da estratégia das pistas para melhorar a marcha, utilização de estratégias cognitivas de movimento para melhorar as transferências; exercícios para melhorar o equilíbrio e treino da mobilidade articular e força muscular para melhorar a capacidade física.

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terapia da fala doença de parkinson

Terapia da Fala

As alterações da fala podem reduzir progressivamente a qualidade de vida de uma pessoa com doença de Parkinson (DP). Quanto mais cedo uma pessoa recebe uma avaliação e consequentemente terapia da fala, maior a probabilidade de manter habilidades de comunicação à medida que a doença progride.

A comunicação é um elemento chave na qualidade de vida e no autoconceito e confiança positivos para as pessoas com DP. Com isto em mente, facilmente se compreende que a existência de problemas de comunicação pode levar a sentimentos de frustração, depressão e isolamento. Aprender como a doença de Parkinson afeta a comunicação e o que é possível fazer para os ultrapassar é uma forma de lidar com a situação.

terapia da fala doença de ParkinsonMuitas dessas áreas problemáticas podem ser aprimoradas com programas de exercícios específicos para DP, dispositivos que ajudam a comunicação e estratégias e técnicas que podem ajudar a comunicar de maneira mais eficaz e eficiente.

Também comum nas pessoas com doença de Parkinson, são as alterações ou dificuldade em mastigar, comer ou engolir. Essas mudanças podem acontecer a qualquer momento, mas tendem a aumentar à medida que a DP progride.

Embora existam alguns sinais comuns de dificuldade em engolir, é importante lembrar que as pessoas com DP nem sempre podem mostrar, ou mesmo estar cientes, desses sinais. 

Por exemplo, a DP pode afetar negativamente o reflexo de tosse, um reflexo natural que protege as vias aéreas durante as refeições, bebidas ou engolir saliva. Por esse motivo, as pessoas com DP nem sempre podem demonstram tosse durante as refeições, mesmo tendo problemas com a deglutição. A avaliação por um terapeuta da fala, que pode incluir uma Radiografia da deglutição (ou seja, um estudo modificado da deglutição de bário, também chamado de videofluoroscopia) ou um exame endoscópico por fibra ótica (ou seja, exame direto da garganta durante a deglutição) usando um tubo flexível com uma câmara na extremidade), é importante para avaliar problemas de deglutição na DP.

Os problemas de fala e deglutição na doença de Parkinson podem ocorrer por vários motivos, sendo que os três principais problemas incluem:

  1. Diretamente relacionado ao sistema motor descoordenado que acompanha a DP, incluindo rigidez, lentidão de movimento e tremor.
  2. Mudança no processamento sensorial relacionado à fala. Acredita-se que as pessoas com DP podem não estar cientes de que sua fala está a ficar progressivamente mais suave e mais difícil de entender.
  3. Outra causa dessa condição é que as pessoas com DP podem ter um problema de “se apresentar” para produzir fala com volume adequado.

psicologia doença de Parkinson

Psicologia

Todo o ser humano, em determinadas alturas da sua vida, experiência sentimentos, pensamentos e comportamentos que constrangem o seu bem-estar físico, mental e emocional. A procura do psicólogo pode ser motivada não apenas pela necessidade de apoio na exploração da génese e intervenção do próprio problema, como também pela prevenção e promoção da saúde mental. 

A doença de Parkinson é um dos distúrbios neurodegenerativos mais comuns actualmente. Ambos estão associados a um prejuízo substancial no bem-estar, a um aumento da tensão do cuidador, bem como a um aumento dos custos de cuidados de saúde e eventual necessidade de institucionalização.

Os tratamentos farmacológicos são, provavelmente, os mais conhecidos para estes quadros clínicos. No entanto, a par destes tratamentos existem outros métodos que podem ter um papel importante no sentido de prevenir o declínio cognitivo frequentemente presente nestes casos. O papel do psicólogo no acompanhamento de pessoas com doença de Parkinson é de grande eficácia, pois o seu papel neste processo de intervenção pode garantir uma melhor aceitação da doença, um controle no uso da medicação e promover melhoria no cotidiano tanto do portador da doença como nos seus cuidadores. Principalmente se aliado a um trabalho interdisciplinar, para que juntos possam proporcionar uma melhora significativa na vida do paciente.

Além da parte geral da psicologia, esta também assume um papel importante ao focar-se em técnicas para ajudar a manter ou melhorar o funcionamento cognitivo.

Os métodos normalmente utilizados envolvem a prática repetida, mas diversificada, de um conjunto de tarefas padronizadas no sentido de colocar em prática funções cognitivas específicas, como a memória e a atenção. Existem igualmente uma série de actividades e discussões em grupo que têm o propósito de melhorar o funcionamento cognitivo e social geral.

Desta forma, sublinha-se a importância de uma intervenção terapêutica abrangente, de forma a prevenir e intervir na doença.

Deixamos aqui um exemplo de um exercício de estimulação cognitiva, que põe a nossa mente à prova:

estimulação cognitiva doença de Parkinson

nutrição doença de Parkinson

Nutrição

Todas as pessoas beneficiam de uma dieta equilibrada para se sentirem melhor e manter energia. Actualmente não se pode dizer que exista uma dieta específica para quem tem doença de Parkinson, mas seguir uma dieta equilibrada e saudável é, certamente, útil. E o papel da nutrição é essencial e impactante para o doente com Parkinson. 

Efectivamente, com a progressão da doença, existe um risco acrescido de malnutrição e perda de peso (principalmente de massa muscular) por inúmeros fatores associados à DP tais como, por exemplo, a própria medicação, carências nutricionais, tremores que impedem a ação de levar a comida à boa ou fadiga pelo esforço de comer. No decorrer da doença, cerca de 60% a 80% dos casos irão sofrer de disfagia, o que irá comprometer gravemente a ingesta alimentar. 

Além disso, a nutrição pode-se revelar interessante no que toca a ajudar a aliviar sintomas não motores através da alimentação, de que é exemplo a obstipação. E também a evitar uma grande interacção medicamentosa com a alimentação. 

Guidelines internacionais suportam a realização de monitorização nutricional regular na Doença de Parkinson. É importante que doentes e cuidadores deem as mãos à nutrição, pois esta é determinante na qualidade de vida do doente com Parkinson desde o seu diagnóstico.

Nutrir também é cuidar!

Filipa Amaro


Terapeuta da Fala

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento

Gabriela Fonseca


Fisioterapeuta

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento

Rita Gama


Fisioterapeuta

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento

Cátia Lobo


Fisioterapeuta

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento

David Cristóvão


Fisioterapeuta

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento

Tânia Soeiro


Nutricionista

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento

João Martinho


Fisioterapeuta

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento

Cristiana Gameiro


Fisioterapeuta

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento

Tânia Freitas


Fisioterapeuta

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento

Catarina Matias


Psicóloga Clínica

Especialista em doença de Parkinson, Parkinsonismo e doenças do Movimento