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O exercício físico previne as quedas?

Um terço da população com mais de 65 anos sofre de quedas, a cada ano. Estas podem ter consequências graves como fraturas e internamentos. Estudos indicam que, o exercício físico, nomeadamente o treino de equilíbrio, marcha e força muscular têm resultados positivos na prevenção de quedas em idosos.

Uma revisão internacional lançada em 2019, estudou 108 artigos para compreender o efeito do exercício físico nas quedas. Obteve um total de 23.407 participantes idosos com uma média de 76 anos, sendo 77% mulheres. Concluiu-se que os programas de exercícios reduzem a taxa de quedas, em 23%, em pessoas que já sofriam de quedas. Porém, para quem ainda não tinha historial de quedas os resultados não foram conclusivos.

 

Considera-se assim, o treino de equilíbrio e exercícios funcionais, ferramentas úteis para prevenir quedas em idosos.

Fisioterapeuta Gabriela Fonseca

Fisioterapeuta especializada em Doenças de Movimento

Qual deverá ser a intensidade do seu treino se está a combater a depressão?

O exercício pode ajudar a diminuir os sintomas de depressão através da redução da inflamação. A inflamação tem sido reconhecida como um potencial contribuidor do desenvolvimento da depressão. Isto sugere que as terapias anti-inflamatórias, como o exercício físico, podem ser efetivas na prevenção e manutenção dos sintomas depressivos. Sabe-se que o exercício aeróbico reduz a depressão e a ansiedade. No entanto, a intensidade recomendada na prática do exercício físico está, ainda, pouco estudada.

Um estudo observacional recente, elaborado com estudantes universitários sedentários (população em que o risco de desenvolver depressão é mais elevado) examinou o efeito de dois tipos de treino na depressão e inflamação.

 

O estudo observou os estudantes durante 6 semanas, em treino de intensidade intervalado, em treino contínuo moderado e um grupo sem exercício. Verificou-se o efeito dos diferentes treinos na depressão, ansiedade e stress percebido através do processo inflamatório. Estes causam alterações de comportamento que se revelam em sintomas de depressão major, incluindo a anedonia (perda da capacidade de sentir prazer), baixa de atividade e isolamento social.

O treino com intensidade moderada foi o que apresentou melhores resultados – diminuição dos sintomas depressivos e dos processos inflamatórios. O treino de alta intensidade diminuiu os sintomas de depressão, mas aumentou os processos inflamatórios – aumentando as perceções de ansiedade e stress. Os indivíduos que não praticaram exercício físico aumentaram os níveis depressivos, indicando que a diminuição da saúde mental pode ser muito rápida, quando expostos a situações de stress.

 

O exercício físico é assim uma ferramenta efetiva na gestão dos sintomas e na promoção da saúde mental.

Recomenda-se a prática de treino com intensidade moderadaem indivíduos em constante stress e pressão!

Se ainda não pratica exercício físico, esteja atento aos sinais do seu corpo e inverta a direção da sua saúde mental. O exercício físico tem uma forte influência no tratamento da depressão, ansiedade e stress. Não se esqueça que estes são só mais alguns dos inúmeros benefícios que o exercício físico tem, por isso, não há motivos para não praticar!

 

Atenção! No caso de ter alguma condição de saúde específica que cause limitações, fale com o seu médico ou profissional de saúde especializado. Saiba que é possível adaptar o exercício físico e que é benéfico para todos!

Estilo de Vida Ativa e Parkinsonismo. Há relação?

A atividade física é um comportamento modificável com variados benefícios para a saúde. Já existem vários estudos sobre o efeito protetivo do exercício físico ao nível do cérebro, no entanto, ainda não sabemos se um estilo de vida mais ativo se relaciona com a incidência de parkinsonismo ou com a sua progressão.

Um estudo longitudinal colocou a seguinte hipótese: um estilo de vida mais ativo em idosos está associado a um menor risco de desenvolvimento de parkinsonismo e a uma progressão mais lenta da doença. Para testar a hipótese, estudou-se o nível de atividade física em 889 idosos de Chicago, através de um equipamento de monitorização de existência e/ ou progressão de Parkinsonismo, anualmente. Do total de participantes, 207 tinham diagnóstico de parkinsonismo e neles foi verificada a influência da atividade física na progressão da doença. Nos restantes participantes foi verificada a influência da atividade física no desenvolvimento de parkinsonismo.

Os resultados, após mais de 4 anos de análise, demonstraram que um maior nível de atividade física está associado a um risco reduzido de desenvolver Parkinsonismo. Verificou-se também, que os participantes que já apresentavam a doença no início do estudo, que praticaram atividade física diária obtiveram uma taxa mais lenta de progressão do parkinsonismo – cerca de 20% mais lenta.

Estudos como este são deveras importantes na medida em que é uma prioridade identificar os fatores de risco modificáveis que possam diminuir o encargo do parkinsonismo na população atual.

Neurofisioterapeuta Gabriela Fonseca

Especializada em Doenças de Movimento

 

Fonte: Oveisgharan, S., Yu, L., Dawe, R. J., Bennett, D. A., & Buchman, A. S. (2019). Total daily physical activity and the risk of parkinsonism in community-dwelling older adults. The Journals of Gerontology: Series A. doi:10.1093/gerona/glz111

Luto pelo Animal de Estimação

“Todas as noites choro porque ela vem ter comigo…” – Bernardo, 9 anos

 

O Bernardo perdeu a sua cadela em 2017. Revela que durante o dia nem pensa na sua amiga de quatro patas. Contudo, a hora de adormecer é sempre muito dolorosa porque é invadido por pensamentos sobre amiga: a forma como brincavam juntos; a forma como trocavam mimos; a forma como cuidava dela; a forma como a sua amiga o fazia tão feliz…

O luto consiste numa despedida forçada de algo ou alguém significativo. O processo de luto no desenvolvimento infantil é diferente consoante a fase de desenvolvimento.

Porém, também como os adultos, as crianças quando estão em processo de luto podem manifestar saudades e o desejo de reencontrar a pessoa perdida bem como expressar sentimentos de apatia, tristeza, ansiedade, zanga ou culpa. Algumas crianças como ainda não desenvolveram formas de expressar a dor, fazem-no muitas vezes através de comportamentos, como o chorar, deixar de dormir, sentir um nó na garganta, aperto no peito, ter diarreias, etc.

É frequente o adulto manifestar dificuldades em abordar o processo de luto com a

criança, acabando por fornecer explicações vagas e confusas. No entanto, é fundamental para qualquer criança em luta conseguir elaborar os pensamentos e

expressar os sentimentos perante tal perda.

 

 

Desta forma, o que fazer perante a perda de um animal de estimação?

– Dar espaço para a formulação de perguntas. Demonstrar abertura para se abordar a perda e não evitar o assunto: “estou aqui para qualquer dúvida que tenhas”;

– Clarificar e explicar o processo de morte por palavras simples, evitando eufemismos:

“O Bob não vai estar mais presente na nossa vida, mas podemos sempre recordar os momentos bons que tivemos com ele”;

– Envolver a criança no processo de despedida: dar oportunidade para escolher a forma como se quer despedir; escrever uma carta; deixar um objeto simbólico junto do animal;

– Validar os sentimentos do seu filho: “ele fazia parte da nossa família, também me

sinto muito triste, acredito que isto esteja a ser muito difícil para ti”.

– Não promover a ideia de “animal de substituição” enquanto a criança não terminar o processo de luto, com o objetivo de evitar possíveis sentimentos de traição pelo amigo que perdeu.

 

 

Yennyfer Martins – Psicóloga Clínica

 

Consciência do Pavimento Pélvico Feminino

Sabe como contrair os músculos do pavimento pélvico?

Os músculos do pavimento pélvico são controlados, como qualquer outro músculo, pelo cérebro. No entanto, não conseguimos observar estes músculos como os restantes músculos.

Quando precisamos de realizar uma flexão do cotovelo, não precisamos de pensar quais são os músculos que precisamos de ativar para realizar este movimento. No entanto, quando queremos ativar a musculatura pélvica, temos que pensar qual é o movimento que precisamos de realizar.

Para conseguirmos uma boa contração precisamos de ter noção da sua localização e da sua função. Estes músculos localizam-se na parte inferior da pelve, e são responsáveis pela manutenção da continência urinária e fecal, pela sustentação dos órgãos pélvicos e também, pela função reprodutiva, sexual e postural. 

Os músculos do pavimento pélvico são de extrema importância para a saúde da mulher, no entanto, o conhecimento sobre esta musculatura, disfunções e opções de tratamento é reduzido. A falta de conhecimento do próprio corpo, dificulta a contração desta musculatura. Ou seja, é muito importante termos consciência corporal sobre esta região.

E como é que as mulheres podem ganhar consciência corporal em relação aos músculos do pavimento pélvico? Através do ensino/treino da contração destes músculos, uma contração eficiente resulta numa elevação dos órgãos pélvicos e no fecho da uretra, vagina e ânus.

Cerca de 30% das mulheres não conseguem realizar uma contração dos músculos pélvicos apenas com comando verbal. Nestes casos, podemos e devemos recorrer a utilização do BIOFEEDBACK. Esta forma de tratamento ajuda a mulher a ter uma melhor consciência corporal dos músculos pélvicos e da sua contração.

A literatura tem evidenciado uma alta prevalência de disfunções relacionadas com os músculos do pavimento pélvico, sendo a incontinência urinária a mais prevalente. Esta, afeta mulheres de várias idades e, consequentemente, a qualidade de vida desta população.

Existem várias opções de tratamento disponíveis para a incontinência urinária, a primeira opção de escolha, deve ser o treino dos músculos do pavimento pélvico. Para que este treino seja ainda mais eficaz, é importante que o paciente esteja informado e motivado.