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Qual o papel da nutrição na Doença de Parkinson?

O papel da nutrição é essencial e impactante para o doente com Parkinson.

Com a progressão da doença, existe um risco acrescido de malnutrição e perda de peso (principalmente de massa muscular) por inúmeros fatores associados à DP tais como, por exemplo, a própria medicação, carências nutricionais, tremores que impedem a ação de levar a comida à boa ou fadiga pelo esforço de comer. No decorrer da doença, cerca de 60% a 80% dos casos irão sofrer de disfagia, o que irá comprometer gravemente a ingesta alimentar.

Guidelines internacionais suportam a realização de monitorização nutricional regular na Doença de Parkinson. É importante que doentes e cuidadores deem as mãos à nutrição, pois esta é determinante na qualidade de vida do doente com Parkinson desde o seu diagnóstico.

 

Nutrir também é cuidar!

Tânia Soeiro – Nutricionista

3 anos de experiência em Doença de Parkinson 

Fui diagnosticado(a) com Doença de Parkinson… e agora?

Agora é hora de obter ajuda adequada ao seu caso. A sua vida não acabou!

É um facto que a Doença de Parkinson não tem cura, contudo, é possível controlar alguns dos sintomas e prevenir a progressão da doença – a intervenção precoce revela-se fundamental neste processo!

 

Procurar um Neurologista especializado

São muitas as variantes nas doenças neurológicas e só um profissional especializado poderá avaliar e diagnosticar devidamente o seu caso.

É fundamental que recorra a um neurologista experiente em Doenças do Movimento, em que se insere a Doença de Parkinson.

 

Formas de tratamento

O tratamento farmacológico é o primeiro passo mas, não menos importantes, são as terapias especializadas que atuam a nível físico, cognitivo e emocional. Estas funcionam como um complemento à terapia medicamentosa devendo ser encaradas como outro “medicamento” e realizadas com a regularidade devida. As mesmas ajudam a atenuar e a melhorar os sintomas motores e não motores, sendo fortes aliadas na prevenção da progressão da doença e não apresentando efeitos secundários.

Nesta doença, a intervenção precoce de uma equipa multidisciplinar é fundamental!

 

Procure tratamentos/terapias especializadas

É importante que procure uma intervenção especializada e personalizada, recorrendo a profissionais de saúde experientes em Doença de Parkinson.

Neurofisioterapia, Nutrição, Terapia da Fala, Psicologia e Estimulação Cognitiva são algumas das terapias aconselhadas, mas só após uma avaliação global do seu caso clínico, poderá compreender quais as melhores abordagens terapêuticas, a regularidade e a intensidade das mesmas.

Sabia que…

A neurofisioterapia minimiza e retarda a evolução dos sintomas, proporcionando uma melhor funcionalidade e consequente melhoria da qualidade de vida.

A alimentação pode influenciar a forma como a medicação atua no seu corpo.

A Terapia da Fala previne e reduz o engasgo através do fortalecimento dos músculos e estruturas responsáveis pela deglutição.

A psicologia intervém na aceitação e criação de estratégias para lidar com os sintomas, entre outras questões.

Por todas estas razões é fulcral que procure especialistas nas terapias que mais o podem ajudar no ganho de qualidade de vida, como as acima descritas.

 

Esclareça-se com o especialista!

Procurar informação faz parte do processo. Querer saber como funciona a doença, o que fazer e como é que ela vai influenciar a sua vida é natural. No entanto, a Doença de Parkinson manifesta-se de várias maneiras e nem sempre aquilo que lê na internet será adequado ao seu caso. Desta forma, é importante procurar fontes de informação credíveis e profissionais de saúde especializados na área que poderão responder às suas dúvidas.

 

Sabemos que é um caminho difícil, mas pode e deve procurar ajuda.

Saiba mais aqui sobre Doença de Parkinson.

 

Contacte-nos para mais informações/ esclarecimentos. 

Fisioterapeuta Rita Gama

3 anos de experiência em Doença de Parkinson

Alongamentos pós-treino previnem lesões?

Durante muitos anos os alongamentos foram vistos como parte essencial do treino para prevenir lesões. Mas será que isso é bem assim?

O nosso especialista responde!

Os alongamentos são muito importantes SIM, mas não devem ser encarados meramente como um complemento ao treino.

Quando falamos de prevenção, um treino de alongamentos específicos e aconselhado por um especialista pode ser um grande aliado, uma vez que, quando realizado regularmente, permite o aumento da flexibilidade que, por sua vez, traz inúmeros benefícios para o seu corpo. No entanto, a realização (ou falta dela) de alongamentos antes ou depois do seu treino habitual em nada influencia o aparecimento de lesões no futuro.

Isto não invalida que realize alongamentos depois do seu treino, principalmente se estes lhe permitirem regressar à calma proporcionando uma boa sensação de bem-estar, mas nunca com o objectivo de prevenir lesões.

 

Após o treino, no regresso à calma, dê preferência a 5/10 minutos de exercícios simples, como por exemplo a caminhada (ou outro exercício aeróbico de baixa intensidade) e/ou alongamentos ativos.

Fisioterapeuta Rita Gama

O que pode substituir o ovo numa alimentação vegan?

Mais uma pergunta que nos chega e que esperamos dar resposta da melhor forma!

Considerando que estamos a falar de ovos de galinha, estes fornecem-nos proteínas de alto valor biológico, disponibilizando com equilíbrio e qualidade todos aminoácidos essenciais para o organismo, vitaminas A e riboflavina (B2), cálcio, fósforo e ferro.

Ao contrário dos vegetarianos, os vegans não consomem nenhum alimento de origem animal, incluindo o mel ou alimentos com derivados de animais. Ora, o consumo de ovos, e consequentemente de proteínas de alto valor biológico no geral, está fora de questão.

Ao excluir totalmente estes alimentos, deverão estar atentos a carências vitamínicas e minerais, como a vitamina B12 e o ferro (especialmente o heme – obtido em fontes de origem animal).

Valor Nutricional do ovo:

Por 100g

Por ovo M (63g)

Kcal

143

90.09

Proteína (g)

12.56

7.91

Lípidos (g)

9.51

5.99

Ferro (mg)

1.75

1.10

Fósforo (mg)

198

124.74

Folatos (mcg)

47

29.61

Vitamina B12 (mcg)

0.89

0.56

Vitamina A (mcg)

160

100.80

Vitamina D (IU)

82

51.66

Colesterol (mg)

372

234.36

Fonte: Egg, whole, raw, fresh – USDA database

Considerando a importância do ovo como fonte nutricional de origem animal, um vegan poderá compensar a ingestão de ferro através do consumo de cereais fortificados, nozes, alguns vegetais, feijões, pasta de sementes de sésamo, manteiga de amendoim fortificada ou ervas aromáticas (embora a pouca quantidade que se ingere não as torne representativas). No entanto, convém relembrar que o ferro fornecido é ferro não heme e que dietas pobres em proteína, folato e vitamina C também contribuem para a carência deste mineral. Apesar de o ovo não ser a principal fonte nutricional de vitamina B12, fica a mensagem de que a ingestão desta vitamina na dieta vegan poderá derivar de cereais fortificados, bebida vegetal de soja ou margarina vegetal.

Considerando o papel do ovo como ingrediente culinário, que traz à cozinha a sua capacidade coagulante, emulsionante e espumante, os vegans poderão substituí-lo por:

– sementes de chia hidratadas com água quente: 1 a 2 colheres de sopa para 1 ovo;

– fermento e vinagre se o objetivo for adicionar às confeções: 1 colher de chá de cada para 1 ovo;

– sumo de maçã ou puré de banana/maçã/abóbora se o objetivo for misturar ingredientes;

– tofu;

– e, por fim, existem nos supermercados produtos substitutos de ovo, compostos maioritariamente por fibras e espessantes.

Como prevenir o aparecimento de doenças neurológicas?

Não é novidade que a prevalência das doenças neurodegenerativas como a Doença de Alzheimer e a Doença de Parkinson acentuam-se, significativamente, com a idade. Sabe-se também que existem fatores genéticos e ambientais que contribuem para o surgimento destas doenças.

Mas de que forma é que estes fatores influenciam estas doenças? Existe alguma forma de prevenir o seu aparecimento?

Hoje, vimos falar-vos sobre o exercício físico e o seu efeito protetor no surgimento destas doenças.

 

Tem sido reportado, repetidamente, em vários estudos o efeito benéfico do exercício físico na limitação e/ou atenuação da progressão da doença, desempenhando assim um papel importante na proteção do cérebro. Mais especificamente, o exercício físico agudo aumenta o batimento cardíaco que, por sua vez, aumenta o fluxo sanguíneo no cérebro, estimulando diversos mecanismos neurobiológicos nos tecidos cerebrais, que promovem a função cognitiva e motora.

 

Os efeitos Protetores do Exercício na Doença de Alzheimer (DA)

Vários estudos longitudinais suportam a ideia de que a atividade física é um instrumento poderoso na prevenção da Doença de Alzheimer e demência em pessoas idosas. Uma meta-análise de 2009 concluiu que o exercício físico reduz em 45% o risco de desenvolver demência. Estima-se que entre 13% a 20% dos casos de Alzheimer na Europa devem-se a inatividade física.

 

Como proteger-se?

Faça atividades de intensidade moderada-vigorosa, pelo menos 3 vezes por semana: caminhar/correr, subir/descer escadas, andar de bicicleta, nadar, praticar aeróbica, hidroginástica, treino de força, treino de alongamentos, entre outras actividades.


Os efeitos Protetores do Exercício na Doença de Parkinson (DP)

À semelhança da Doença de Alzheimer, um vasto número de estudos sugere que o exercício físico também pode prevenir o desenvolvimento da Doença de Parkinson. O risco de desenvolver a DP está inversamente associado à frequência e intensidade de atividade física praticada ao longo da vida e ao período em que a mesma é praticada.

 

Num estudo elaborado com vários grupos etários, verificou-se que o efeito protector do exercício físico mostra-se, particularmente, mais intenso quando praticado entre os 35 e 39 e/até ao resto da vida. Sugerindo que, quando praticado nesta faixa etária, a atividade física decresce, em 40%, o risco de desenvolver esta patologia.

 

Em relação à intensidade, um estudo longitudinal demonstrou que indivíduos que praticam exercício físico de alta intensidade, como andar de bicicleta, aeróbica ou ténis, apresentam um risco mais baixo, de 40%, em desenvolver a doença, em comparação com indivíduos que praticam atividades de baixa intensidade. Outro fator que pode estar relacionado com o surgimento desta doença é o tipo de emprego. Estudo demonstrou que o risco de desenvolver esta patologia está associado ao gasto energético do local de trabalho, indicando que trabalhos sedentários (ex., professores, médicos, funcionários públicos) apontam para um maior risco de desenvolvimento da patologia, ao invés de profissões mais ativas (ex., funcionários da construção civil).

 

Como proteger-se?

Faça atividades de alta intensidade, como andar de bicicleta, aeróbica ou ténis, pelo menos 3 vezes por semana e evite uma vida sedentária.

 

Ideias a reter: 

Em conclusão, a atividade física é essencial para um bom funcionamento da actividade cerebral e, por essa razão, é um verdadeiro aliado na prevenção de doenças como a de Alzheimer ou Parkinson. No entanto ainda não se sabe concretamente qual(ais) os melhores exercícios para proteger o nosso sistema nervoso destas doenças, sendo assim de extrema importância a ajuda de um profissional especializado para que este intervenha adequadamente tendo em conta as características de cada um.

 

 

Fisioterapeuta Rita Gama

 

 

 

Paillard, T., Rolland, Y., & de Souto Barreto, P. (2015). Protective effects of physical exercise in Alzheimer’s disease and Parkinson’s disease: a narrative review. Journal of clinical neurology, 11(3), 212-219.

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