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Luto pelo Animal de Estimação

“Todas as noites choro porque ela vem ter comigo…” – Bernardo, 9 anos

 

O Bernardo perdeu a sua cadela em 2017. Revela que durante o dia nem pensa na sua amiga de quatro patas. Contudo, a hora de adormecer é sempre muito dolorosa porque é invadido por pensamentos sobre amiga: a forma como brincavam juntos; a forma como trocavam mimos; a forma como cuidava dela; a forma como a sua amiga o fazia tão feliz…

O luto consiste numa despedida forçada de algo ou alguém significativo. O processo de luto no desenvolvimento infantil é diferente consoante a fase de desenvolvimento.

Porém, também como os adultos, as crianças quando estão em processo de luto podem manifestar saudades e o desejo de reencontrar a pessoa perdida bem como expressar sentimentos de apatia, tristeza, ansiedade, zanga ou culpa. Algumas crianças como ainda não desenvolveram formas de expressar a dor, fazem-no muitas vezes através de comportamentos, como o chorar, deixar de dormir, sentir um nó na garganta, aperto no peito, ter diarreias, etc.

É frequente o adulto manifestar dificuldades em abordar o processo de luto com a

criança, acabando por fornecer explicações vagas e confusas. No entanto, é fundamental para qualquer criança em luta conseguir elaborar os pensamentos e

expressar os sentimentos perante tal perda.

 

 

Desta forma, o que fazer perante a perda de um animal de estimação?

– Dar espaço para a formulação de perguntas. Demonstrar abertura para se abordar a perda e não evitar o assunto: “estou aqui para qualquer dúvida que tenhas”;

– Clarificar e explicar o processo de morte por palavras simples, evitando eufemismos:

“O Bob não vai estar mais presente na nossa vida, mas podemos sempre recordar os momentos bons que tivemos com ele”;

– Envolver a criança no processo de despedida: dar oportunidade para escolher a forma como se quer despedir; escrever uma carta; deixar um objeto simbólico junto do animal;

– Validar os sentimentos do seu filho: “ele fazia parte da nossa família, também me

sinto muito triste, acredito que isto esteja a ser muito difícil para ti”.

– Não promover a ideia de “animal de substituição” enquanto a criança não terminar o processo de luto, com o objetivo de evitar possíveis sentimentos de traição pelo amigo que perdeu.

 

 

Yennyfer Martins – Psicóloga Clínica

 

Consciência do Pavimento Pélvico Feminino

Sabe como contrair os músculos do pavimento pélvico?

Os músculos do pavimento pélvico são controlados, como qualquer outro músculo, pelo cérebro. No entanto, não conseguimos observar estes músculos como os restantes músculos.

Quando precisamos de realizar uma flexão do cotovelo, não precisamos de pensar quais são os músculos que precisamos de ativar para realizar este movimento. No entanto, quando queremos ativar a musculatura pélvica, temos que pensar qual é o movimento que precisamos de realizar.

Para conseguirmos uma boa contração precisamos de ter noção da sua localização e da sua função. Estes músculos localizam-se na parte inferior da pelve, e são responsáveis pela manutenção da continência urinária e fecal, pela sustentação dos órgãos pélvicos e também, pela função reprodutiva, sexual e postural. 

Os músculos do pavimento pélvico são de extrema importância para a saúde da mulher, no entanto, o conhecimento sobre esta musculatura, disfunções e opções de tratamento é reduzido. A falta de conhecimento do próprio corpo, dificulta a contração desta musculatura. Ou seja, é muito importante termos consciência corporal sobre esta região.

E como é que as mulheres podem ganhar consciência corporal em relação aos músculos do pavimento pélvico? Através do ensino/treino da contração destes músculos, uma contração eficiente resulta numa elevação dos órgãos pélvicos e no fecho da uretra, vagina e ânus.

Cerca de 30% das mulheres não conseguem realizar uma contração dos músculos pélvicos apenas com comando verbal. Nestes casos, podemos e devemos recorrer a utilização do BIOFEEDBACK. Esta forma de tratamento ajuda a mulher a ter uma melhor consciência corporal dos músculos pélvicos e da sua contração.

A literatura tem evidenciado uma alta prevalência de disfunções relacionadas com os músculos do pavimento pélvico, sendo a incontinência urinária a mais prevalente. Esta, afeta mulheres de várias idades e, consequentemente, a qualidade de vida desta população.

Existem várias opções de tratamento disponíveis para a incontinência urinária, a primeira opção de escolha, deve ser o treino dos músculos do pavimento pélvico. Para que este treino seja ainda mais eficaz, é importante que o paciente esteja informado e motivado.

Qual o papel da nutrição na Doença de Parkinson?

O papel da nutrição é essencial e impactante para o doente com Parkinson.

Com a progressão da doença, existe um risco acrescido de malnutrição e perda de peso (principalmente de massa muscular) por inúmeros fatores associados à DP tais como, por exemplo, a própria medicação, carências nutricionais, tremores que impedem a ação de levar a comida à boa ou fadiga pelo esforço de comer. No decorrer da doença, cerca de 60% a 80% dos casos irão sofrer de disfagia, o que irá comprometer gravemente a ingesta alimentar.

Guidelines internacionais suportam a realização de monitorização nutricional regular na Doença de Parkinson. É importante que doentes e cuidadores deem as mãos à nutrição, pois esta é determinante na qualidade de vida do doente com Parkinson desde o seu diagnóstico.

 

Nutrir também é cuidar!

Tânia Soeiro – Nutricionista

3 anos de experiência em Doença de Parkinson 

Fui diagnosticado(a) com Doença de Parkinson… e agora?

Agora é hora de obter ajuda adequada ao seu caso. A sua vida não acabou!

É um facto que a Doença de Parkinson não tem cura, contudo, é possível controlar alguns dos sintomas e prevenir a progressão da doença – a intervenção precoce revela-se fundamental neste processo!

 

Procurar um Neurologista especializado

São muitas as variantes nas doenças neurológicas e só um profissional especializado poderá avaliar e diagnosticar devidamente o seu caso.

É fundamental que recorra a um neurologista experiente em Doenças do Movimento, em que se insere a Doença de Parkinson.

 

Formas de tratamento

O tratamento farmacológico é o primeiro passo mas, não menos importantes, são as terapias especializadas que atuam a nível físico, cognitivo e emocional. Estas funcionam como um complemento à terapia medicamentosa devendo ser encaradas como outro “medicamento” e realizadas com a regularidade devida. As mesmas ajudam a atenuar e a melhorar os sintomas motores e não motores, sendo fortes aliadas na prevenção da progressão da doença e não apresentando efeitos secundários.

Nesta doença, a intervenção precoce de uma equipa multidisciplinar é fundamental!

 

Procure tratamentos/terapias especializadas

É importante que procure uma intervenção especializada e personalizada, recorrendo a profissionais de saúde experientes em Doença de Parkinson.

Neurofisioterapia, Nutrição, Terapia da Fala, Psicologia e Estimulação Cognitiva são algumas das terapias aconselhadas, mas só após uma avaliação global do seu caso clínico, poderá compreender quais as melhores abordagens terapêuticas, a regularidade e a intensidade das mesmas.

Sabia que…

A neurofisioterapia minimiza e retarda a evolução dos sintomas, proporcionando uma melhor funcionalidade e consequente melhoria da qualidade de vida.

A alimentação pode influenciar a forma como a medicação atua no seu corpo.

A Terapia da Fala previne e reduz o engasgo através do fortalecimento dos músculos e estruturas responsáveis pela deglutição.

A psicologia intervém na aceitação e criação de estratégias para lidar com os sintomas, entre outras questões.

Por todas estas razões é fulcral que procure especialistas nas terapias que mais o podem ajudar no ganho de qualidade de vida, como as acima descritas.

 

Esclareça-se com o especialista!

Procurar informação faz parte do processo. Querer saber como funciona a doença, o que fazer e como é que ela vai influenciar a sua vida é natural. No entanto, a Doença de Parkinson manifesta-se de várias maneiras e nem sempre aquilo que lê na internet será adequado ao seu caso. Desta forma, é importante procurar fontes de informação credíveis e profissionais de saúde especializados na área que poderão responder às suas dúvidas.

 

Sabemos que é um caminho difícil, mas pode e deve procurar ajuda.

Saiba mais aqui sobre Doença de Parkinson.

 

Contacte-nos para mais informações/ esclarecimentos. 

Fisioterapeuta Rita Gama

3 anos de experiência em Doença de Parkinson

Alongamentos pós-treino previnem lesões?

Durante muitos anos os alongamentos foram vistos como parte essencial do treino para prevenir lesões. Mas será que isso é bem assim?

O nosso especialista responde!

Os alongamentos são muito importantes SIM, mas não devem ser encarados meramente como um complemento ao treino.

Quando falamos de prevenção, um treino de alongamentos específicos e aconselhado por um especialista pode ser um grande aliado, uma vez que, quando realizado regularmente, permite o aumento da flexibilidade que, por sua vez, traz inúmeros benefícios para o seu corpo. No entanto, a realização (ou falta dela) de alongamentos antes ou depois do seu treino habitual em nada influencia o aparecimento de lesões no futuro.

Isto não invalida que realize alongamentos depois do seu treino, principalmente se estes lhe permitirem regressar à calma proporcionando uma boa sensação de bem-estar, mas nunca com o objectivo de prevenir lesões.

 

Após o treino, no regresso à calma, dê preferência a 5/10 minutos de exercícios simples, como por exemplo a caminhada (ou outro exercício aeróbico de baixa intensidade) e/ou alongamentos ativos.

Fisioterapeuta Rita Gama